Coluna Luiz Nardelli

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

"DIMAS GIMENEZ, O EDITOR"

AO “ETERNO EDITOR”
Misto de maldito transgressor, gonzo jornalista e vocalista "old school". Conheci o cara no final de 2001 quando ainda cursava meu segundo ano de comunicação social. Estava prestes a assumir meu primeiro emprego, sem saber ao certo com quem iria me deparar. Levado por outro “maluco” até o jornal, pensei que a primeira reação do meu primeiro editor seria dizer: "Mais um cabeludo para me dar problema". E não deu outra: Lembro bem do Dimas, ao se dirigir ao Alexandre e com ironia exclamar: "Já não chega um!". Meu primeiro contato com o "eterno editor" foi rápido, como reza a lenda dos "malditos jornalistas". Ele estava com seu "uniforme diário de trabalho" e suas ferramentas habituais. Trajava pijama (pois morava no emprego), pantufa nos pés, cabelos desgrenhados e barba por fazer. Um cinzeiro repleto de bitucas de cigarros e uma xícara grande de café. Algumas anotações em uma página do Word, que dividia espaço na tela com um site especializado em música e outra janela com um jogo em rede. Ele me cumprimentou, deu as boas vindas e sem levantar da cadeira pediu para o outro maluco mostrar como tudo funcionava. O "eterno editor" tinha um olhar clínico para as coisas que aconteciam. Um idealista que acreditava que poderia transformar o mundo, dentro é claro de seus limites. Buscava quebrar paradigmas e romper com os tradicionalismos de nossa função. Não se preocupava com o poder e ironizava com ele. Por vezes reclamava dos limites da função, pois se sentia amordaçado por linhas editoriais, as quais conseguia driblar como ninguém, usando de metáforas e das chamadas por ele mesmo de "suas viagens". Como todo gênio, era genioso e por muitas vezes incompreendido. Também foi considerado personagem folclórico da cena do rock londrinense e não tinha vergonha nenhuma em dizer que demorou quase oito anos para se formar, pois precisava dedicar tempo a sua música, que junto com o jornalismo eram suas grandes paixões. Depois de passagens pelo General X e Blue-Up, ele criou a Fahrenheit 451, bandas do cenário underground. O nome de sua última banda foi ideia sua, em alusão ao filme de Truffaut, que conta a história de um futuro em que a ditadura queimava livros considerados subversivos: "bem a cara do eterno editor". Ele era de um grupo de jornalistas raros nos dias de hoje, discípulos de outros malucos como 'Vlado', 'Patarra', 'Tarso', 'Capote' e 'Hunter'. Não parava em muitos lugares, após se formar em Londrina, atuou em vários meios de comunicação, em especial em Umuarama, onde criou o semanal "Tempo Certo" e ficou conhecido pela coluna "Boca no Trombone". Nesse dia 29 de maio, quando é lembrado a passagem de aniversário do jornal que ele ajudou a conceber , não há como não lembrar do saudoso Dimas Gimenez, que nos deixou no final de 2007, então com 43 anos. Esteja onde estiver, ele também deve estar comemorando, provavelmente, compondo uma canção com uma xícara de café ou uma dose de whisqui em uma das mãos.

Júlio César Carignano
Jornalista

4 comentários:

VLemainski disse...

Uma bela mensagem/homenagem. Uma demonstração de sólida e agradável amizade. Parabéns.

Guizo Vermelho disse...

Dimas deveria ser clonado para transfusão de seu sangue combativo em nossos cursos de Comunicação Social.

Um grande cara, faz muita falta.

A homenagem foi perfeita. De um ótimo jornalista para outro.

Suzana disse...

Mais um final de ano,sem o seu telefonema,oi Suzana...é o Dimas.Não há mais aqueles papos até a madrugada quando estavamos junto.Não há mais a espectativa que ele vai chegar derrepente.Ele já não torce mais pela minha felicidade.E eu nem posso lhe contar,a ironia do destino de eu agora estar residindo em Londrina.Só recordar...do ultimo e triste olhar,Só recordar...da vida fragil, que depois de tanto lutar,se foi em uma silenciosa paz.Meu querido irmão,filho, DIMAS,vc ainda continua no meu coração,sempre te amar,sempre a querer encontrar algo de vc.Hoje encontrei neste jornal,em seus amigos.Obrigada..obrigada...obrigada

Débora Gimenez disse...

Obrigada pela belíssima homenagem!
É muito bom relembrar o quanto ele foi querido e ainda é. Como filha do "eterno jornalista" agradeço de coração suas palavras!